Em permutas pela vida, penso como seria um mundo onde não pudéssemos expressar tudo o que sentimos. Deve ser irrelevante, frustrante e completamente nervoso.
Bem, eu não peguei a época da ditadura militar onde todos eram obrigados a ficarem calados e não podia sequer expressar qualquer tipo de forma de arte ou sentimento, fosse ele qual fosse.
Lendo e relendo matérias para faculdade me deparei com duas entrevistas da revista ESPM, onde dois mestres respondem sobre o tema liberdade de expressão, cada um a seu modo de pensar.
Na edição de setembro/outubro de 2005 da revista foi perguntado para Artur da Tavola e João Ubaldo Ribeiro o que eles achavam sobre o fato de alguns terem mais liberdade de expressão que o outro. Artur citou um acontecimento com Samuel Wainer, onde ele disse não ter liberdade nenhuma no jornal onde trabalhava, e falou que ele poderia não ter nenhuma liberdade, mas tinha toda independência. Não poderia falar nada contra o dono ou o próprio jornal, mas tinha total independência de escrever o que sentia e pensava, desde que isso não afetasse a imagem do jornal.
Já João Ubaldo mandou uma, que só o ele poderia ter relacionado esses fatos. Ele citou que um repórter falou de um tal assunto de total complexidade relacionando expressão à impressão. Isso mesmo, ele falou que se abstraímos, radicalmente, outros elementos, a expressão é a transmissão de uma impressão – palavras de João – e já que em nosso país a capacidade de receber impressão é quase nula pela falta de educação, não há condições de termos uma impressão, quanto mais uma expressão.
Esses dois modos, totalmente contrários um do outro, se fundem num único pensamento, é que na verdade não temos verdadeiramente nenhuma liberdade. O que temos é a falsa sensação que nos é dada conforme a música toca. É o famoso ditado em que se diz, que temos que dançar conforme a música.
Podemos hoje em dia termos capacidade, e meios, de transmitir o que pensamos e desejamos de várias formas e modos. Afinal, nossa tecnologia avança a cada dia. Mas a verdadeira liberdade, não temos. Pois sempre existirão os tabus por de trás da sociedade, na maioria das vezes hipócrita, e assim não conseguimos realmente nos expressar e assim não conseguimos com liberdade formar nossas impressões.
Na verdade ficamos no meio do comentários dos dois. Não conseguimos ter liberdade por falta de impressão, e por consequência temos a independência de pensarmos o que queremos, mesmo que nunca possamos expressar nossos pensamentos. Esses que são nossos, mesmo que só sirvam para ficar para ficar guardado em velhos diários de papel como no tempo da vovó.
Por Ana Magal
Repórter colaboradora
ana.magal@gmail.com
